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Especialistas alertam para o aumento do número de casos avançados de câncer no pós-pandemia.

Especialistas alertam para o aumento do número de casos avançados de câncer no pós-pandemia.

Especialistas alertam para o aumento do número de casos avançados de câncer no pós-pandemia. Queda de 22% nas cirurgias de câncer aponta para um “represamento” no tratamento.

Verônica Savatin (no telão): Lei dos 60 dias não está sendo cumprida

O câncer é a segunda maior causa de mortes no mundo e, até 2030, deve ser a primeira, segundo especialistas. A Comissão Especial de Combate ao Câncer no Brasil, criada pela Câmara dos Deputados, discutiu com especialistas, nesta quinta-feira (15), quando se celebra o Dia do Homem, os tipos mais comuns de câncer masculino, as formas de tratamento, o que pode ser feito para combatê-los, e, principalmente, os percalços da realidade brasileira, agravados pela pandemia.

O tipo de câncer masculino mais comum é o de próstata, que representa quase 1/3 dos casos. Segundo a representante da ONG Oncoguia, Helena Esteves, a previsão é de mais de 65 mil novos casos de câncer de próstata por ano. A segunda maior incidência entre homens é a de câncer de pulmão, um tipo muito agressivo. Em 2016, 86% dos casos foram detectados somente em estágio avançado.

Mas Helena Esteves explica que, desde 2020, a pandemia reduziu a visita aos hospitais, portanto, o problema está ainda mais grave, pois, quanto mais cedo se detecta a doença, mais chance de o tratamento ser bem-sucedido. Ela explica que houve uma queda de 22% nas cirurgias de câncer, o que aponta para um “represamento” no tratamento.

“As pessoas não têm conseguido acessar o tratamento adequado no tempo adequado. Acreditamos que vamos sair da pandemia e vamos enfrentar uma epidemia de casos avançados no câncer, o que é bem preocupante”, disse.

Audiência Pública - 15 de julho - Dia do Homem, com foco na Saúde do Homem. Coordenadora de Advocacy do Instituto Oncoguia, Helena Esteves
Helena Esteves alertou para “epidemia de casos de câncer” no pós-pandemia – Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Segundo a ONG, durante a pandemia, houve queda de 38,22% na realização de biópsias; 35,85% nas colonoscopias; e 29,04% a menos exames de PSA, fundamental para detectar o câncer de próstata em tempo hábil para tratamento.

Atualmente, o SUS gasta R$ 4,7 bilhões apenas em tratamento de câncer de próstata. Entre as sugestões apresentadas pela Oncoguia está a criação de uma força-tarefa para o reagendamento de consultas e exames.

Falta de informações
A deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), que sugeriu o debate, lamenta que os homens não tenham o hábito de ir ao médico.

“Quanto difícil é, para o homem, acessar um exame de PSA. A resposta muitas vezes é ‘a cota está extrapolada’, e aí ele acaba não fazendo por falta de informação, por dificuldade de acesso. E aí a gente acaba pegando esse paciente lá no câncer de próstata avançado, que só uma intervenção cirúrgica complexa pode ajudar a resolver o caso”, observou a deputada.

O presidente da comissão especial, deputado Weliton Prado (Pros-MG), concordou que é preciso debater a situação da saúde do homem no Brasil, visto que há ainda grande preconceito e gargalo no acesso a informações, serviços e cuidados com a saúde.

A diretora do Instituto Lado a Lado pela Vida, Denise Blaques, lembrou na comissão que o homem vive, em média, 7 anos a menos do que as mulheres, que três em cada 10 não vão ao médico e mais da metade, quando doente, só vai em estágio avançado da doença, o que impede o tratamento precoce. Além disso, 15 em cada 20 casos de suicídios são homens que se matam.

Audiência Pública - 15 de julho - Dia do Homem, com foco na Saúde do Homem. Assessor Técnico de Saúde do Homem do CGCIVI/DAPES/SAPS/MS, Francisco Norberto Moreira da Silva
 Norberto (no telão), alertou para as más condições de higiene e o câncer de pênis – Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Câncer de pênis
O representante do Ministério da Saúde e assessor técnico de Saúde do Homem, Francisco Norberto, informou que o câncer de pênis representa apenas 2% dos tipos de câncer que atingem o homem, mas a doença é majoritária nas regiões Norte e Nordeste e contribuem para ela as más condições de higiene.

Ele disse que, desde 2020, a Portaria 3.069/20, do Ministério da Saúde, instituiu incentivo financeiro federal para desenvolver ações de promoção para cuidado integral à saúde do homem e prevenção do câncer de pênis no âmbito da Atenção Primária à Saúde.

“Nós sabemos que alguns fatores contribuem para isso e, entre eles, a questão da higiene íntima é um dos fatores preponderantes. A gente precisa instrumentalizar os profissionais pra trabalhar com isso e orientar a população”, disse.

Foram atendidas pela portaria ministerial os estados do Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Sergipe com R$ 150 milhões para cada estado e R$ 54 milhões para as cidades selecionadas conforme o índice de casos. Em 2020 o Ministério da Saúde também lançou o Cartão de Saúde do Caminhoneiro, para registro das informações clínicas dos condutores e facilitar o acompanhamento de saúde dos caminhoneiros em qualquer estabelecimento da atenção primária do país.

Fisioterapia pélvica
A fisioterapeuta Mariane Castiglione, da Associação Brasileira pela Continência B. C. Stuart, entidade voltada para o problema da continência urinária e fecal, recomendou a fisioterapia pélvica para homens que tiveram que retirar a próstata.

“A fisioterapia pélvica deveria ser colocada como primeira opção de tratamento conservador para os homens com incontinência urinária pós prostatectomia”, disse.

Durante a audiência pública, o chefe da divisão de detecção precoce do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Arn Migowski, alertou para a necessidade do exame de toque retal como prevenção ao câncer de próstata.

Dificuldade de acesso
A Lei 12.732/12, também conhecida por Lei dos 60 Dias, garante ao paciente com câncer tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) no prazo de 60 dias a partir da assinatura do laudo.

A representante do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasens), Verônica Savatin, explica que a aplicação da lei encontra obstáculos. Segundo ela, hoje, no caso do paciente masculino, ele terá que deixar o seu trabalho para procurar tratamento de saúde e, se precisar fazer uma biópsia de próstata em um município de pequeno porte, não vai conseguir ter acesso.

“Ele precisará se deslocar para uma outra cidade e isso demora às vezes dois ou três dias, porque geralmente esses serviços ainda estão concentrados nos grandes centros. Então, precisamos trazer para mais perto da população a oferta desses serviços”, disse Verônica.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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